No dia das mães, conheça mais sobre o “parto humanizado”, assunto que divide opiniões

O parto humanizado é uma das temáticas mais polêmicas da sociedade atual. Primeiro por sua própria definição, muito criticada. Entretanto, pode-se dizer que o parto humanizado é realizado em um ambiente mais aconchegante, semelhante a de uma casa, e também é aquele em que as decisões da mulher são levadas muito mais em conta do que em outros tipos de parto. O tema divide opiniões.
Os médicos que trabalham desta maneira buscam dar o conforto necessário para a paciente e garantir a segurança do nascimento. Eles utilizam técnicas que vão desde massagens a posições corporais do Yoga, ou seja, evitando qualquer intervenção cirúrgica. Apesar de toda essa metologia, os profissionais garantem que durante o parto, a principal figura é a mãe.
Em Salvador, existe o Centro de Parto Normal Marieta de Souza Pereira (CPN) que está localizado na Mansão do Caminho, no bairro de Pau da Lima. Neste centro, os médicos agem da maneira que foi citada no parágrafo anterior. Além disso, o local conta com 6 unidades pré-parto, parto e pós-parto (PPP), oferece às gestantes a comodidade de não serem transferidas para realizar procedimento algum. As pacientes podem conversar com os médicos e enfermeiros durante o processo e ainda determinar quais pessoas da família devem ficar na hora do nascimento da criança.
Apesar de prezar pelo máximo de naturalidade na hora do nascimento, os trabalhos no CPN são cuidadosos. Antes de se fazer um parto na localidade, a mãe deve realizar pelo menos menos cinco exames pré-natais, que são realizados na própria Mansão do Caminho.
O doutor Francisco Magalhães, obstetra e presidente do Sindmed-BA, possui uma opinião diferente sobre o parto humanizado. “É um tema muito polêmico e acho difícil você caracterizar um parto como humanizado ou não, pois o parto em si é um processo violento. Além disso, em qualquer situação, a mãe tem que ser escutada e a sua vontade tem que ser respeitada, inclusive a de ter parto normal ou cesariana.”, disse.
O obstetra falou ainda que um dos maiores problemas da humanização é a falta de estrutura da saúde brasileira. “A falta de “humanização” não é culpa do médico, como alguns querem falar… Ele não é o vilão. Existem muitos problemas na obstetrícia, desde o pré-natal que muitas vezes não é bem-feito, a remuneração dos médicos no parto normal que não é adequada e, principalmente, a falta de leitos nos hospitais, ocorrendo a superlotação… Pra mim a humanização passa pelo conserto destes graves problemas.”, explicou.
Apesar da importância do tema, o parto humanizado ainda não é uma tendência, pelo menos para os baianos. Os números da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) apontam que o número de partos por cesariana crescem gradativamente no estado o que coloca em dúvida se a técnica com menos intervenções cirúrgicas vai ser um caminho a ser seguido.