Polícia localiza viúva de empresário morto em pousada e ex-detenta; mulheres fugiram após o crime

A Polícia Civil já descobriu a localização da viúva e sócia do empresário Leandro Troesch, Shirley da Silva Figueiredo, morto na própria pousada de luxo, Paraíso Perdido, em Jaguaripe, no Recôncavo, em 25 de fevereiro. Tanto a mulher quanto uma amiga, a ex-detenta Maqueila Santos Bastos, não foram mais encontradas após os assassinatos tanto de Leandro quanto de seu braço direito, Marcel da Silva Vieira, no último domingo (6/3).
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“Já sabemos onde elas estão e ao que tudo indica, estão juntas. A Polinter [Serviço de Polícia Interestadual] já foi acionada”, declarou o delegado Rafael Magalhães, titular da delegacia de Jaguaripe. Também foram convocadas unidades policiais de outros estados.
Segundo Magalhães, o advogado de Maqueila tem o interesse de apresentá-la. “Recebemos a ligação dele e estamos ajustando uma data”, disse o delegado, esclarecendo que não há um mandado contra a ex-detenta. “Ela não é procurada pela Justiça, mas necessitamos ouvi-la na investigação, pois acredito que muita coisa poderá ser esclarecida”, acrescentou.
Já Shirley está na condição de foragida. Ela teve a prisão decretada assim que descumpriu uma decisão judicial ao deixar a cidade sem comunicar ao juiz da vara crime. Após deixar o Presídio Feminino, a empresária passou a cumprir uma medida cautelar, o que a impedia de sair da pousada sem informar previamente. A mulher e o marido foram presos, no ano passado, condenados por sequestro e extorsão em Salvador. “Até o momento, o advogado de Shirley não entrou em contato para apresentá-la”, disse Magalhães.
Com relação a comentários que circulam em Jaguaripe, sobre a possibilidade de Shirley ter uma relação extraconjugal com Miqueila, o delegado ponderou. “É possível, mas não temos certeza disso. É preciso ouvir as duas, até para saber se isso pode acrescentar à investigação”. Em uma outra entrevista, Magalhães relatou que Leandro não aceitava a aproximação da mulher com a ex-detenta, que responde a vários processos por estelionato e era considerada uma das líderes do Presídio Feminino na capital.
Shirley e Miqueila saíram juntas do presídio primeiro, dois meses antes de Leandro também cumprir a pena em liberdade. A empresária deu abrigo e emprego à amiga na Paraíso Perdido. No entanto, ao retornar à pousada, Leandro não gostou da presença da ex-detenta, e o casal passou a brigar com frequência, o que levou à expulsão de Miqueila. Dez dias depois, o homem foi encontrado morto com um tiro na cabeça em um dos quartos do estabelecimento.
Ainda em outra entrevista, o delegado revelou que momentos antes da morte de Leandro, o casal havia discutido. O desentendimento foi testemunhado por funcionários da pousada. A versão põe em questão o primeiro depoimento de Shirley, prestado assim que o marido foi encontrado. Ela disse que ele teria cometido suicídio.
Morte de funcionário
Diante desse e de outros questionamentos, Rafael Magalhães tentou localizar Shirley e Maqueila, mas não conseguiu. A única testemunha-chave para o mistério era o funcionário Marcel da Silva Vieira, o Billy, considerado braço direito de Leandro. Amigos desde a infância na Boca do Rio, em Salvador, os dois se reencontraram anos depois no Complexo da Mata Escura, na ocasião em que o empresário foi preso, ano passado.
Eles também deixaram a penitenciária juntos, pois o advogado de Leandro conseguiu estender o benefício de responder pelo crime em liberdade para Billy, condenado por tráfico de drogas. Entretanto, no dia em que seria ouvido para esclarecer a morte do patrão, foi assassinado. O seu corpo foi encontrado no último domingo (6/3), no distrito de Camassandi, no mesmo município.
O delegado disse que ainda não descarta nenhuma possibilidade para o crime, inclusive o fato de a vítima ter sido morta por representar uma ameaça para alguém. “É muita coincidência. A polícia trabalha com todas as vertentes, inclusive a de queima de arquivo”, afirmou. Ele acredita que mais pessoas estejam envolvidas na morte de Billy.
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