Polícia passa a investigar escola infantil por tortura após novas denúncias de mães

Após receber novas denúncias, a Polícia Civil passou a apurar também a suspeita de tortura contra crianças na escola particular infantil da Zona Leste de São Paulo. Mães de duas crianças que aparecem em vídeos amarradas e chorando foram ouvidas pela investigação. Elas disseram que seus filhos voltavam para casa feridos e doentes quando saíam do berçário da Escola de Educação Infantil Colmeia Mágica, na Vila Formosa.
VOCÊ VIU? EXCLUSIVIDADE! Outlet das Tintas conta com máquina tintométrica que disponibiliza mais de 2.000 opções de cores
A escolinha já era investigada desde a semana passada pelos crimes de maus-tratos, periclitação de vida, que é colocar a saúde das crianças em risco, e submissão delas a vexame ou constrangimento por causa dos vídeos que circulam nas redes sociais e mostram os maus-tratos a pelo menos quatro alunos. Elas aparecem amarradas dentro de um banheiro.
Nesta semana, no entanto, a Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) da 8ª Delegacia Seccional decidiu incluir a tortura após ouvir depoimentos sobre como as crianças eram tratadas na Colmeia Mágica.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/V/2/iBBxwsQMSNcatZe5xC5Q/bebes-escola.gif)
As duas mães ouvidas pela investigação conversaram com o g1. Elas levaram para a polícia fotos de seus filhos. Um dos meninos aparece com um machucado na testa e outro está internado em um hospital, tomando oxigênio depois de sentir falta de ar. Os dois ficaram assim após deixar a escolinha.
“Na época eu até mandei mensagem para a diretora perguntando sobre o que tinha acontecido com ele, mas ela não me respondeu. No dia seguinte ela disse que não se recordava de nada, mas que ele podia ter batido em algum brinquedo, até porque eles vão para a escola e estão sujeitos a se machucar”, disse a autônoma Laura Stramaro, de 34 anos, mãe de um menino de 2 anos.
Em maio de 2021, o filho dela chegou em casa com um hematoma perto da sobrancelha.
“Em novembro do ano passado a diretora e proprietária me ligou dizendo que meu filho estava com dificuldades para respirar. Depois ficou dois dias internado em um hospital para a saturação de oxigênio regularizar”, falou, nesta terça-feira (15/3), a advogada Vitória Costa, 23, mãe de um bebê de 11 meses.
A diretora citada pelas mães é Roberta Regina Rossi Serme, de 40 anos. Ela e a irmã, Fernanda Carolina Rossi Serme, de 38, são sócias da Colmeia Mágica. A escolinha foi fundada em 2002 e atende crianças de 0 a 5 anos, do berçário ao ensino infantil.
Diretora nega maus-tratos
A diretora não foi localizada pela reportagem do g1 para comentar o assunto, mas apurou com fontes que atuam no caso, que Roberta disse à polícia que desconhece os vídeos que mostram as crianças amarradas no banheiro, que fica ao lado de sua sala.
No depoimento, a diretora reconheceu que as imagens das crianças, sentadas em cadeirinhas de bebês, no chão, embaixo de uma pia e próximas à privada, foram gravadas no banheiro da Colmeia Mágica, mas afirmou não saber quem fez a filmagem e nem quem as amarrou. Ela negou, ainda, que tivesse imobilizado os bebês ou mandado algum funcionário fazê-lo.
Professora teria filmado
Mães de crianças, que tinham seus filhos matriculados na Colmeia Mágica, disseram ao g1 que Roberta convocou uma reunião de emergência com os pais na última sexta-feira (11/3), quando voltou a negar que tivesse cometido maus-tratos contra as crianças.
“A diretora disse que uma ex-funcionária descontente estava fotografando crianças em situação fora de contexto para prejudicar a escola”, falou Vitória Costa. “Na reunião, nenhum dos pais tinha visto o vídeo dos maus-tratos ainda. Saímos de lá então acreditando na versão dela”.
Essa ex-funcionária é uma professora, segundo os pais. Professoras ouvidas pela reportagem disseram que a própria diretora amarrava as crianças para elas ficarem quietas. Em outras oportunidades, de acordo com elas, Roberta obrigava as educadoras e outras funcionárias a fazerem o mesmo.
A declaração de Roberta aos pais foi dada um dia depois de a polícia ter ido à Colmeia Mágica cumprir um mandado judicial de busca e apreensão. Foram recolhidos sete lençóis que teriam sido utilizados para amarrar os bebês que aparecem nos vídeos. Três celulares, incluindo o da diretora, foram levados. Todos os objetos serão periciados.
A professora que teria tirado fotos e feito vídeos com as crianças amarradas já foi ouvida pela polícia.
Mande fotos e vídeos com os acontecimentos de seu bairro para o WhatsApp do Fala Genefax (75) 9 9190-1606
g1
